APOCALIPSE: ESTUDO COMPARATIVO DAS ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO

1. ESCOLA ALEGÓRICA

Essa escola tem sua origem em Alexandria, representada por Clemente de Alexandria e Orígenes. Eles entendiam o Apocalipse como um livro alegórico que vai além do simbolismo. Neste caso, eles não interpretavam o livro como literal e simbólico como outros teólogos interpretavam. Eles eram antiquiliásticos, por isso adotaram o entendimento não literal do livro. Na igreja primitiva, a escola alexandrina era, de forma geral, considerada herética.

2. ESCOLA PRETERISTA

O termo preterista deriva de pretérito, que indica algo que já passou. Os adeptos dessa abordagem defendem que o Apocalipse é um registro dos conflitos da igreja primitiva com o judaísmo e o paganismo. Os acontecimentos de Apocalipse 4–20 são interpretados como uma descrição da guerra judaica, que culminou na destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. e na perseguição à igreja primitiva. Acredita-se que o autor dessa interpretação foi o jesuíta Luis Del Alcázar (1554–1613).

Há duas vertentes preteristas: o completo e o parcial. O preterismo completo defende que Jesus retornou no ano 70 d.C. nas nuvens do juízo contra o Israel incrédulo; portanto, toda a profecia bíblica já se cumpriu, incluindo o livro de Apocalipse. Eles afirmam não haver segunda vinda de Cristo, ressurreição final e juízo final. Afirmam ainda que vivemos agora no novo céu e nova terra.

Já o preterismo parcial, apesar de concordar com o preterismo completo que Jesus voltou no ano 70 d.C., discorda de que não haverá uma segunda vinda futura, ressurreição ou juízo final.

Portanto, eles desconsideram os métodos de interpretação literal e futurista.

3. A ESCOLA HISTORICISTA

Os adeptos dessa escola consideram o livro como uma apresentação simbólica da igreja culminando no segundo advento. O responsável por essa abordagem foi Joaquim de Fiore, um estudioso católico romano do século XII, responsável também por dar origem às formas iniciais do pós-milenarismo. Esse método alcançou importância durante a Reforma por identificar o papa com a besta de Apocalipse 13.

Portanto, seguindo essa visão, pode-se desenvolver até cinquenta interpretações diferentes do livro de Apocalipse, de acordo com a época e as circunstâncias vividas pelo exegeta.

4. ESCOLA FUTURISTA

Esta escola de interpretação tem como expositores pré-milenaristas, ou seja, compreendem o livro de Apocalipse como futurista a partir do capítulo 4. Portanto, nesse sistema de interpretação, os eventos dos capítulos 4–18 estão relacionados ao período imediatamente anterior à segunda vinda de Cristo. Esse período é conhecido como os sete anos, que se dividem em dois tempos de três anos e meio, dos quais os últimos três anos e meio são chamados de “grande tribulação”. O capítulo 19 se refere à segunda vinda de Cristo à Terra; o capítulo 20 fala sobre o futuro reino milenar literal; e os capítulos 21 e 22 descrevem eventos subsequentes ao milênio.

Portanto, com relação às escolas anteriores, a posição futurista permite uma interpretação literal das profecias desse livro. Ressalto que, apesar de esse método de interpretação estar ligado à escola de Antioquia, ele reconhece o simbolismo que o livro contém; porém, os eventos preditos por esses símbolos e suas interpretações são vistos como se cumprindo de forma literal.

Portanto, essa escola é a melhor opção para o cristão que quer estudar as profecias bíblicas e apocalípticas.

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